Dez razões para o uso das tecnologias na educação
(Sobre um texto de John Page.[1])
1. Expansão do tempo e do lugar
Em escolas dos ensinos básico e secundário o tempo de atendimento individual que um aluno tem dos seus professores, é necessariamente escasso, e em média não ultrapassa 40 minutos por dia (nos 2º, 3º ciclos e secundário), ou seja 5% das 8 horas diárias de um aluno e esse tempo tem de ser partilhado com mais 25 alunos. No entanto o aluno pode ter acesso à Internet 100% desse tempo. Isso corresponde a 20 vezes mais.
A tecnologia não substitui um bom professor, contudo os materiais disponibilizados on-line ficam muito mais acessíveis. Vinte vezes mais.
Usando uma abordagem “livro de texto + sala de aula”, os lugares onde a aprendizagem pode ocorrer são limitados. Por outro lado, um portátil sem fios (com ligação wireless) tem acesso às matérias da disciplina e a toda a Internet quase em toda a parte. É ainda um recurso monumental quando comparado com o que pode ser carregado numa mochila. Em resumo: a tecnologia da informação permite a aprendizagem em qualquer parte, em qualquer altura, não fica restringida a uma determinada sala de aula durante 40 minutos por dia.
2. Profundidade da compreensão
O recurso a simulações e ilustrações interactivas, e.g., materiais manipuláveis virtuais, pode promover um conhecimento mais aprofundado de um dado conceito. Com um projector de vídeo o professor pode demonstrar conceitos e conduzir investigações mais facilmente, e.g., com programas como Cabri (http://www.cabri.com/), Skecthpad (http://www.dynamicgeometry.com/), Scratch (http://scratch.mit.edu/), ou recorrendo a páginas especializadas, como Math Forum (http://mathforum.org/), National Council of Teachers of Mathematics (http://www.nctm.org/), Associação de Professores de Matemática (http://www.apm.pt), Mathematics Open Reference (http://www.mathopenref.com) e um sem número mais. Assim, com o acesso à Internet e às mesmas ferramentas e simulações os alunos poderão explorar novas ideias com o professor e por si só.
3. Aprender versus Ensinar
Aos alunos pode ser proposto a realização de projectos, o que é muito mais interessante e motivador. Em vez de ensino, isto é, em vez de lhes ser incutida (dar) a matéria, podem procurá-la (trazê-la até si) para desenvolverem os projectos. O ponto chave nesta mudança está na possibilidade de obter a informação de que precisam a qualquer altura e em qualquer lugar.
4. O novos meios de comunicação pessoal
Até hoje passado os alunos tiravam apontamentos nos cadernos diários e o que escreviam era apenas visto pelo professor. Usando as TIC podem criar uma apresentação electrónica, fazer fotografia e vídeo digital, editar um jornal, organizar um programa de rádio ou televisão escolar, compor música e disponibilizar as suas criações numa página web ou num blogue.
5. Colaboração
Uma competência fundamental no novo mundo digital é a possibilidade de colaborar em projectos com outros que estão fisicamente distantes. Isto consegue-se mais eficazmente usando a web, as mensagens instantâneas ou o telemóvel. Em vez de realizarem os trabalhos de casa sozinhos, os alunos podem trabalhar em pequenos grupos, independentemente do local e da hora. Eles já o faziam e até era considerado copiar, mas agora pode ser formalizado e ensinado como uma competência fundamental. Muitos projectos de investigação são desenvolvidos por equipas espalhadas um pouco por todo o mundo. Os alunos precisam de estar preparados para isto.
6. Globalizar-se
A visão que os alunos têm do mundo pode aprofundar-se devido ao baixo custo (ou custo zero) na comunicação com pessoas de todo o globo. A Internet permite conferência vídeo gratuita (e.g., Skype) o que proporciona uma interacção em tempo real com colegas de escolas parceiras de outros países. De um ponto de vista educacional, o que poderá ser mais importante do que compreender outras culturas pelo diálogo e a colaboração directa?
7. Ir ao ritmo individual
Os alunos são, naturalmente, todos diferentes. As tecnologias de informação podem permitir a um aluno desfasar-se do resto da turma e prosseguir a um ritmo que se lhe adeqúe melhor. Sem perturbar a turma pode repetir as lições difíceis e explorar o que considere interessante. Com o tempo tornar-se-á como ter um tutor privado em vez de se sentir perdido numa turma grande. Isto poderá ser facilmente implementado usando um sistema para a gestão de disciplinas como o Moodle (http://moodle.org).
8. Peso
Três livros de texto e três cadernos diários podem bem pesar mais de 10kg. Um portátil pesa cerca de 2,5kg e proporciona acesso a um número infinitamente maior de material, seja guardado no disco do portátil seja acedendo à Internet. Um disco de 80Gbytes pode conter mais de 4 milhões de páginas com ilustrações; a web é gigantesca. Nesta altura os alunos estão a sofrer de dores nas costas por terem de carregar livros e cadernos, e apenas uma pequena parte do que precisam.
9. Produtividade pessoal
Os alunos precisam das ferramentas informáticas (processador de texto, folhas de cálculo, programas de gráficos, sistemas de gestão de bases de dados, etc.) tanto como os seus professores. Precisam de escrever, ler, comunicar, organizar e agendar tarefas. A vida de estudante não é muito diferente de um qualquer trabalhador do conhecimento. Mesmo que nunca sejam usados na sala de aula, os portáteis tornarão a vida de um estudante (e de um professor) mais eficaz. Para melhorar a eficácia as escolas terão de ir deixando de usar o papel.
10. Baixo custo
Os preços dos livros estão constantemente a aumentar, podendo atingir valores superiores às propinas, em particular no ensino superior. Usando o software livre que pode ser descarregado da Internet, a dependência dos livros de texto mais caros pode ser substancialmente reduzida. Há um movimento crescente para criar e publicar este tipo de material através de organizações tais como a Open Educational Resources (http://www.oercommons.org/), cuja ideia é seguir o modelo de open source, tornado popular por projectos de software tais como o Linux. O material é criado pela própria comunidade educacional e depois partilhada gratuitamente. Actualmente (Março de 2008) um portátil decente pode ser adquirido por cerca de 150 euros, o preço de alguns livros de texto. Neste momento ainda precisamos de ambos, os livros em papel e do computador, mas isto é apenas uma fase de transição.
Em resumo, se a educação é sobre conhecimento e competências intelectuais, então as tecnologias da informação e comunicação centra-se no seu coração. Apenas estamos no início desta transição. A escola vai ficar diferente. Prepara-te!
[1] Este texto é uma adaptação de The Ten Fundamental Reasons for Technology in Education, de John Page, de quem obtive autorização, para publicação, que se encontra disponível online: http://www.mathopenref.com/site/techreasons.html.
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